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CHECK LIST

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Este tópico é dedicado a todos que praticam modelismo dinamico e que algum dia tiveram de amargar uma sessão frustrada por desatenção ou falta de experiencia. Quem já não descobriu ao chegar ao lago, seja num dia de competição ou de lazer, que pegou o  transmissor errado, esqueceu de carregar as baterias do receptor, starter ou de vela , ficou sem  correia de partida por falta de outra sobressalente, perdeu a pipa por fixação duvidosa e a carenagem por falta de material flutuante,teve um servo que  simplesmente deixou de funcionar  e por ai  podemos editar uma  lista de situações corriqueiras e  previsíveis . Sair de casa com aquela ansiedade de estrear ou testar o modelo, muitas vezes a muitos quilômetros da oficina, pode ser frustrante e se o entusiasmo não compensar pode  até contribuir para uma possível desistência do hobby. Ao longo dos anos de pratica enfrentei toda sorte de situações ,mas com a ajuda dos amigos  a gente consegue muitas vezes se safar e não perder a viagem. O chamado “check list” tem que fazer parte da pratica de cada um e deve ser atualizado à medida que adquirimos experiência ou outros modelos. Cada modelo tem invariavelmente um “set up” próprio que devidamente  compreendido servirá de base para futuros ajustes. Como  a evolução no hobby é constante  sempre haverá uma boa dica para  melhorar os  nossos equipamentos.

Aos principiantes que normalmente  optam por  modelos  pré-fabricados, atualmente uma grande quantidade vem da China pronta para navegar (RTR=ready to run), recomenda-se o repasse de todas as fixações, porque é frequente estes modelos serem apenas “juntados” na origem sem os devidos apertos ou travamentos de parafusos e porcas. Nestes casos é bom saber que o relativo baixo custo aliado à falta de experiência muitas vezes responde pelas quebras e  queimas de muitos componentes. Em caso de dúvida recorra SEMPRE aos mais experientes ou busque informações na internet sobre a qualidade destes produtos.Tenho igualmente visto muitos fazerem o chamado “upgrade” deste tipo de equipamento com sucesso se  tomados os devidos cuidados, mas avalie se este investimento é realmente necessário e traz vantagens. Podemos dizer que a qualidade e procedência  de um  modelo estão diretamente ligados ao custo beneficio de investimento e diversão. Atualmente  no canal do Youtube existem muitas postagens de vídeos referentes a estes produtos. Outra maneira interessante de ganhar experiência  é  filiar-se a fóruns de discussão: para modelos a explosão temos o http://www.intlwaters.com/index.php?act=home e o http://www.modelgasboats.com/ e para modelos elétricos recomendo o http://forums.offshoreelectrics.com/ .Embora sejam fóruns em língua inglesa o pessoal é muito camarada e sempre tem alguém disposto a dirimir quaisquer duvidas nas mais diferentes modalidades. Por aqui tenho conhecimento do http://www.e-voo.com/forum/ que disponibiliza uma seção ao nautimodelismo.

Para quem gosta de construir a  diferença esta entre os kits de baixo custo e aqueles de qualidade superior que custam muitas vezes  mais. Na realidade não existe mágica neste universo. Tenho modelos americanos com doze anos de uso que parecem recém construídos por conta das exigências do fabricante quanto  à qualidade da matéria prima utilisada. Porque uma ferragem fabricada na China custa a terça parte de outra feita nos USA? Alguns vão dizer o preço da mão de obra e vou concordar neste quesito, mas no que se refere ao material utilizado nada se compara as ligas de  duralumínio usadas pelos americanos que tem praticamente a resistência da fibra de carbono. Como constatação a alguns dias atrás durante uma sessão de testes de um hidroplano de reta tive a ruptura do “pushrod” do leme que causou  a decolagem inesperada do modelo. Ao recolhe-lo  descobrimos que a lamina do leme “shingling” tinha sofrido um sério entorse lateral por causa da baixa resistência do material empregado. Isto não significa que todos os produtos asiáticos são de baixa qualidade, mas serve de alerta a aqueles que buscam em primeiro lugar o menor custo.Com a crise mundial   econômica recente muitas empresas reformularam suas metas e passaram a oferecer modelos a preços mais competitivos abrindo mão da qualidade dos materiais empregados. Se o seu orçamento é baixo ,mas a vontade de construir um modelo com bom desempenho é grande ,a empresa americana http://www.zippkits.com/ oferece uma  linha de kits a ótimos preços  e um serviço ao consumidor impecável. Testei todos os modelos “outrigger’ Jae (.12,21,45 ,gasolina e elétrica) e posso afirmar que o sucesso de vendas destes modelos é justo e foi de encontro as minhas expectativas em todas as versões (vide artigos).Se orçamento não é o seu problema pesquise primeiro e veja qual categoria mais se aproxima do seu perfil.Se você gosta de motores a metanol vai precisar de um starter de partida compatível com o tamanho do motor, correias dentadas, bateria para velas, bomba de combustível, e tudo  que se relaciona a esta categoria. Se a idéia é optar por motores a gasolina equipados com “starter recoil” (partida manual) uma boa mistura de gasolina/óleo e algumas ferramentas são suficientes para iniciar esta categoria. Os modelos elétricos vão requerer conhecimentos próprios sobre tipos de  motores(inrunners e outrunners),aceleradores eletrônicos,baterias(Lipo,Life,Nicd etc) e todos os aparelhos (carregadores,voltimetros e etc) necessários para esta pratica. Antes de se aventurar no hobby,seja qual for, busque todas as informações possíveis e disponivéis, frequente se puder os locais de prática, peça conselhos aos veteranos e só então defina o que melhor se encaixa no seu perfil.Este blog foi criado com a proposta de servir todos que gostam de nautimodelismo então mande sua pergunta a  grsboats@gmail.com sempre que necessário. Para velejadores  visitem: http://www.abvrc.com.br/.

Se  voçe caprichou na montagem e prestou atenção a todos os detalhes do manual de instruções pode ter certeza que deu o primeiro passo para descobrir o fascínio do modelismo radio controlado. Não existe sensação mais gratificante, depois de todo aquele trabalho,que poder desfrutar da emoção de ver algo que voçe mesmo contruiu  navegando e obedecendo aos seus comandos com precisão. No entanto é preciso saber que o seu modelo esta sendo submetido a todo tipo de pressão, torção e fadiga que a médio prazo poderão causar algum tipo de problema. Ciente disto verificações periódicas pós uso são necessárias e pontuais para garantir o bom funcionamento do seu investimento. Se o modelo é de madeira ,mesmo com todos os cuidados de selamento, procure por infiltrações de água ou óleo nas áreas de maior stress como painel de popa, compartimento de motor ,tanque ou baterias e emendas do casco com  o deck. Normalmente a infiltração produz estrias na madeira por inchaço e a solução é limpar inicialmente o modelo com desengraxante e deixar secar as áreas afetadas por alguns dias. Se o modelo estiver pintado e a área comprometida for pequena podemos isola-la com fita adesiva do tipo “radio tape” até a próxima reforma. Nos cascos de fibra esta avaliação é um pouco mais difícil e acaba sendo percebida apenas quando ocorre a trinca do gel denunciada pelo  chamado “pé de galinha”. A solução aqui requer os mesmos cuidados ,mas se você não domina a arte de trabalhar com este material é preferível pedir ajuda ou serviços de um profissional. Opte se puder por produtos confeccionados  com resina epóxi que além de mais estável garante uma sobrevida mais longa ao modelo.Depois da diversão encare a limpeza do seu modelo como parte desta atividade e se perceber algum problema corrija-o como prevenção. Mantenha o  modelo sempre seco e protegido do excesso de calor que pode causar deformações. Todo modelo deve ter a capacidade de flutuar em caso de capotamento, seja de plástico,madeira ou fibra, então não esqueça de colocar  materiais flutuantes no seu interior como pedaços de “spaghetti’ usados em piscinas ou similares.

Modelos pintados sempre chamam atenção e enchem os olhos daqueles que apreciam trabalhos bem executados. Se a idéia é pintar o modelo depois da montagem fique sabendo  que as áreas molhadas (fundo do casco)  aonde o modelo navega precisam ter as quinas SEMPRE  bem afiadas. Mesmo pinturas profissionais adicionam material nestas áreas aumentando a superfície de contato.Faça um  lixamento  com água para produzir o  chamado “speed finish” iniciando com lixa 400 e terminando com 600.Este lixamento além de remover os excessos produz micro ranhuras que quebram a tensão superficial da água nas superfícies polidas pois um micro colchão de ar se instala entre as partes reduzindo o arrasto ou “drag”  e melhorando a eficiência do casco. O polimento de ferragens e hélices definitivamente não traz nenhum tipo de beneficio ao modelo como muitos podem pensar, portanto dedique este tempo a otimizar o desempenho do seu modelo ao invés de se preocupar com este tipo de estética. O uso de cera polidora deve ser aplicado apenas à área pintada e nunca no fundo do barco para não neutralizar o efeito do “speed finish”.Eu pessoalmente prefiro os líquidos polidores sem abrasivos da marca 3M como “Auto brilho” ou “Perfect it” que cristalizam e selam melhor a pintura.

Com relação as ferragens façam inspeções periódicas nos montantes de motor, flexíveis ou rígidos, pois ali esta a casa de força do seu modelo,uma área submetida a toda ordem de deformações. Examinem com atenção os coxins de borracha, vulneráveis aos combustíveis e façam a substituição em caso de dúvida.Nos modelos elétricos menos sujeitos a vibrações apenas certifiquem-se que os parafusos de fixação estão corretamente apertados. Procurem usar pinças ou “collets” de boa qualidade para evitar danos  ao vibrabrequim ou rotor dos motores assim como possíveis problemas aos eixos de transmissão. A grande maioria das que testei apresentaram algum tipo de excentricidade, nada sério para os modelos a explosão, e a solução foi corrigir os pequenos desvios no  torno de usinagem. Para os modelos elétricos com rotações bem mais elevadas tive problemas com algumas marcas e atualmente só utilizo as da marca MBP isentas de qualquer vicio e por serem as de melhor fixação tanto no motor quanto no eixo.A lubrificação permanente dos eixos flexíveis com graxas ou óleos garante sobrevida aos mesmos. A cada sessão de lago é necessário retirar o eixo para ver se  existem entorses ou rupturas da malha de aco. Lembrem-se que eixo partido costuma significar perda do hélice ,portanto tenha sempre um montado para uma eventual troca. O drivedog que trava o hélice muitas vezes é apenas apertado sem o devido rebaixo na ponteira rígida . Com uma boa lima ou disco de corte montado em uma Dremel  é possível criar este rebaixo de modo que o parafuso allen fique abaixo ou no mesmo nível da superfície externa sem causar turbulência ao hélice. Não se esqueçam de deixar uma folga correspondente ao diâmetro do eixo entre a rabeta e o drivedog ,já que o flexível sofre variações de comprimento. Hélices são na minha opinião a base da tríade entre casco, motor e desempenho e o seu balanceamento é fundamental. Procurem manter os seus hélices corretamente acondicionados e bem afiados se o intuito é desempenho. Informem-se quais são realmente eficientes para o seu modelo antes de investir nestes componentes e tenham sempre sobressalentes em caso de sofrerem algum dano . Muitos modelos do tipo  RTR (ready to run) vem com lemes montados sem buchas de pivot que vão produzir  folgas grandes e sobrecarga ao servo de direção. Uma dica simples é alargar os furos por onde passa o pivot no mesmo diâmetro de um tubo de latão usado nos tanques de combustível e usar pedaços do mesmo como buchas. Com esta melhoria a folga desaparece e a dirigibilidade do modelo fica mais precisa. As rabetas de uma maneira geral só precisam ter as buchas internas substituídas se a folga com o eixo de transmissão for muito visível.

Motores a explosão requerem cuidados maiores que os elétricos  e saibam que é possível recupera-los fazendo a troca de todos os seus componentes internos após um certo números de horas de funcionamento (vide artigo motores),Por outro lado avaliem o custo deste investimento que pode ultrapassar o preço de um motor novo. Um motor a explosão seja a álcool ou a gasolina com boa manutenção  dificilmente apresentará problemas  se o combustível empregado for de boa procedência. Deem preferencia aos importados que costumam ter sua produção padronizada e utilizam matérias primas adequadas a cada aplicação. No universo dos elétricos do tipo “brushless”  evitem por completo o contato com água da eletrônica e respeitem os limites de funcionamento recomendados pelos fabricantes. As baterias Lipo utilizadas neste caso precisam apresentar descargas altas (40C ou mais) independente do tamanho do motor, já que com menor resistência interna terão vida mais longa. Minha preferencia pessoal é por baterias com descargas de 45C-90C ,pois testes recentes mostraram que as de descargas superiores(65C-130C) de fato ainda não apresentaram um maior rendimento que justifique este  investimento.Costumo manter a carga  das minhas na faixa dos  45-50% além de medir a resistência interna com um bom multímetro. O aumento deste valor  significa que o “pack” esta perdendo eficiência com o passar do tempo.

Verificações no tanque de combustível servem para detectar possivéis vazamentos e oxidações. As linhas de água e combustível (silicone ou tygon) devem trocadas a cada dois anos, pois se deterioram com o tempo. NUNCA deixem combustível no interior de um tanque por conta da ação corrosiva de alguns componentes da mistura como o nitrometano. Nos modelos elétricos é importante que os cabos de força sejam proporcionais as tensões utilizadas afim de  evitar sobreaquecimentos que podem dar origem a  eventuais incêndios.As soldas dos terminais ou conectores precisar ser bem feitas e sem excessos para não produzirem resistência igualmente.Mesmo equipados com motores “brushless” de baixissima manutenção observem nos aceleradores eletrônicos possíveis vazamentos ou inchaços nos capacitores. Em caso positivo a substituição destes elementos é necessária e preventiva para garantir a integridade de todo o  acelerador. É muito comum ocorrerem queimas de “esc’s” por tempo prolongado de funcionamento, então não ultrapassem o limite recomendado pelos fabricantes.Meus modelos equipados com baterias de 22,2v ou 6S navegam no máximo três minutos ,uma garantia de que toda a eletrônica esteja a salvo de sobredescarga ou superaquecimento.

Os radio transmissores de baixo custo invadiram o mundo com boas tecnologias ,mas fabricados com componentes de qualidade duvidosa. Atualmente é possível termos um radio controle de 2,4Gz por menos de U$50.00,servos por  menos de U$5.00 e a lista se estende a quase tudo com resultados práticos até bem interessantes. Se a intenção é praticar modelismo com orçamento baixo este é o caminho ,mas lembre -se que a  sorte esta literalmente lançada. Minha sugestão é ficar na linha do meio adquirindo produtos reconhecidos  que irão garantir  a diversão e a segurança do local.Tenha sempre na sua maleta de campo sobressalentes de packs de bateria, servos, chaves liga/desliga, e tudo que pode ser levado ao local de pratica sem grandes dificuldades de transporte.Colas,trava roscas,desengraxantes,toalhas de papel e ferramentas adequadas devem fazer parte do nosso equipamento de campo. Compartimentos de radio e modelos elétricos devem ser  selados com fitas adesivas resistentes à água .Se não puderem utilizar as importadas recomendo as termoflex da 3M encontradas em diferentes cores na lojas de material elétrico com ótimos resultados.

Certa vez  me pediram para ajustar  uma pequena  rigger Jae  .12 equipada com motor .18(chinês) e radio Spektrum 2,4Gz . Era a primeira montagem do colega sendo que  o modelo puxava demais para a direita e apresentava inconsistência de carburação. Numa primeira análise  descobrimos que o leme estava solto por conta de uma trinca no painel de popa, havia um vazamento de óleo vindo do virabrequim ,as  pás do hélice estavam assimétricas por conta da baixa dureza da liga de bronze sem falar no servo de leme emitindo ruído mesmo sem ser acionado. Infelizmente como via de regra a baixa qualidade do conjunto acabou comprometendo as expectativas. Orientei o amigo a retomar o projeto com um novo  modelo  tomando os devidos  cuidados na montagem e optando por  uma mecânica e eletrônica de melhor qualidade sem contudo quebrar a banca.O resultado depois de alguns meses de uso é a garantia de se divertir sem surpresas ou  aborrecimentos.

A  falta de informações técnicas leva  invariavelmente  a erros e prejuízos. Ao longo dos anos de modelismo testemunhei muitas situações que poderiam ser facilmente evitadas…me incluo neste universo. Não existem segredos nesta prática, mas sim falta de  acesso a informações corretas. Se você é novato ou experiente e se  depara com um problema saiba que a solução esta ao nosso alcance. Este avanço tecnológico chegou aos dias de hoje  por conta dos erros e acertos do passado. Com pouco mais de um ano praticando a modalidade elétrico NUNCA queimei um acelerador eletrônico, motor ou qualquer outro componente, porque busquei  as respostas das minhas dúvidas junto a colegas experientes, nos fóruns de discussão e fiz muita leitura na internet. Esta nova experiência superou todas as minhas expectativas de desempenho.À medida que evoluimos no hobby descobrimos um volume ainda maior de informações que hoje disponibilizo no meu laptop  para  cada modelo  testado via “CHECK LIST”.

Para todos que desejarem iniciar o nautimodelismo de maneira inteligente meu conselho é pesquisar muito, comparecer aos locais de pratica e observar o que e quem tem bons resultados antes de tomar uma decisão. Com o avanço crescente das tecnologias somado as facilidades de compra e importação dos dias de hoje   o hobby esta ao alcance da grande maioria e o que o nautimodelismo necessita é engrossar o numero de adeptos para ganhar a  visibilidade merecida e necessária ao seu crescimento.

GO FAST AND TURN RIGHT!

Gill Roland Sonsino

  • Client - GRSBOATS Company
  • Date Completed - 05/2013